Era intangível, de tão longe que esse dia parecia estar.
Hoje Florença amanheceu mais quente, mas não dava pra sentir o calor. O café da manhã, tão esperado de todos os dias, não tinha mais aquele gosto bom. E as andanças pela cidade, já não tinham o mesmo clima.
Nenhuma das três conseguiu dormir essa noite. Levantaram às 9h, saíram pela cidade atrás de um caixa eletrônico e depois resolveram sentar naquela praça que era tão familiar. Nenhuma palavra conseguiria traduzir os sentimentos daquele momento, mas as lágrimas e a falta de sorriso se encarregaram disso. Voltaram pra casa e duas delas foram obrigadas a se despedir de uma.
"Ciao bella bionda". O que a Valeys sempre falava cabia direitinho pra a Amanda. Metade de mim foi com ela.
Todas queriam que o tempo parasse ou voltasse. A idéia de que a distância ia começar a agir, parecia, a cada minuto, pior ainda. Um sentimento de despertenciamento tomou conta delas. Aquela cidade já não tinha mais sentido sem as três juntas. Agora, só restava esperar o tempo ditar a hora que ia acontecer a outra despedida. Enquanto isso, foram ao mercado e aproveitaram pra tomar o último gelato. Elas sabiam como isso ia fazer falta!
Algumas últimas arrumações.. laptop dentro da bolsa, escova de dentes no seu devido lugar e mala fechada. Alguns objetos foram deixados porque já não havia mais espaço. Eles vão pertencer agora à última menina que deixará a casa, e, para ela, cada um deles vai ser uma certeza de que isso tudo não foi um sonho.
Antes de chegar no aeroporto, pegaram um amigo que também estava prestes a se despedir de Florença. No táxi, as últimas histórias foram contadas e a saudade antecipada não parava de aumentar. Frases como "I don't wanna leave", "I hate America", "Florence is the best place to live", "I'll try to come back in September, trust me", "Please, don't leave me alone", eram repetidas a cada minuto.
Na fila do check-in os três se olhavam não acreditando no que estava acontecendo. Todos os momentos foram intensos e bons demais pra acabar tão rápido assim. Três semanas que pareceram anos, de tantas viagens realizadas, de tantas coisas feitas juntos e de tantos sentimentos vividos. Apesar de ninguém querer acreditar, os minutos estavam contados, e a Itália já não poderia mais ser o cenário para nossas travessuras. Lugares como Califórnia, Nova York, Carolina do Norte e Peru esperavam ansiosos a chegada de seus moradores.
Última foto, último abraço, últimas palavras, mas não últimas lágrimas. Ver Dana e Tim partindo não foi nada fácil pra menina que esperava o ônibus de volta. Minha outra parte que sobrava foi com eles dois.
Ouvindo todas as músicas que lembravam seus momentos juntos, ela chegou na estação e foi andando sem rumo. Por fora, transparecia ser alguém decidida e que conhecia aquela cidade como a palma da mão. Mas por trás dos óculos escuros, estavam as lágrimas que caiam incontrolavelmente, sendo uma forma de transbordação dos sentimentos que se encontravam presos dentro dela. Já não cabia mais saudade dentro daquele coração. A andança sem rumo durou um pouco de tempo, e quando ela se deu conta de si, estava deitada na praça perto de casa. Naquela mesma praça que tinha passeado de manhã com as pessoas que mais queria estar agora.
Hoje ela acordou ao lado de duas pessoas que jamais desejaria se separar. E nesse mesmo dia, tendo o mesmo sentimento, elas se separaram e vão dormir cada uma no seu canto. Com o pensamento no mesmo lugar, mas em lugares totalmente opostos. Eu amo vocês, irmãs.
domingo, 13 de julho de 2008
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3 comentários:
tu ainda escreve um livro, amiga..
fica bem, o importante é que tudo isso de bom aconteceu e ainda tem muita gente pra conhecer ;*
sabe o que eu sempre gostei em ti? o teu jeito de amar as pessoas intensamente e de sempre arranjar mais uma caixinha pra guardar as lembranças boas de cada uma. aí sempre que tu queria sentir essa intesidade de novo, tu abria essa caixinha de lembranças boas e sentia. sentia o que foi bom; sentia o que tu, um dia, nunca quis esquecer. e é pra isso que essa tua caixinha serve: pra sempre te fazer sentir de novo.
eu espero que tu não tenha desaprendido a usá-la. :)
a falta ruim, que faz a gente ficar triste, mais cedo ou mais tarde, passa; a saudade boa, que faz a gente lembrar e abrir um sorriso, sempre fica.
amo você.
Tati..quase que eu choro.
Olha..essa dorzinha vai passar,viu?!Nem se preocupe!!
como disseram antes a saudade boa é que vai ficar!!
Beijo!
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